CultClubShow #5 - Orquestra Paulistana de Viola Caipira

Orquestra Paulistana de Viola Caipira no Teatro Popular do SESI, em Birigui/SP

Foto: Gabriela Ferraz


Grupo: Desde 1997 a Orquestra Paulistana de Viola Caipira existe e além da proposta musical ímpar, também tem um valor social na capital. Nesta apresentação em especial, vieram com formação reduzida, mas ao todo contam com mais de 50 instrumentistas. Apesar do instrumento peculiar, as interpretações vão de famosas trilhas sonoras até música clássica.

Local: Teatro Popular do SESI, Avenida José Agostinho Rossi, nº 620, Birigui/SP
Conheço o teatro de outros carnavais, e é muito fácil gostar dele. Pequeno, aconchegante e com equipamento de som e acústica impecáveis. Por conta da lotação, proporcionaram um telão na parte externa, para quem não conseguiu entradas, com direito até a chá!

O Show: Duas horas antes do espetáculo começar e a fila já ensaiava um início. Para quem não sabe, existe a chance de reservar entradas para as apresentações pelo site do SESI, e para as reservas online são disponibilizadas 50% das cadeiras. A outra metade fica pra quem conseguir adquirir o ingresso uma hora antes da hora marcada. E mesmo com seu convite, seja online ou não, se não estiver presente até 15 minutos antes do início, você perde o lugar. E acaba sendo uma burocracia necessária e muito bem vinda. Como bom espectador, cheguei cedo e consegui o meu na primeira fila!
O palco montado mostrava o verdadeiro arsenal de cordas. Violas de tamanhos, cores e afinações diferentes. Nos deixava com água na boca pra degustar logo o som que ia acontecer. Depois das formalidades, cada um dos membros da orquestra foi entrando. E eles não acabavam nunca! E também surpreendia a diversidade. Idosos, mulheres, homens, crianças, todos vestidos adequadamente e com seus instrumentos. Além dos vários naipes de viola, o grupo ainda era composto por um naipe de vozes e um de percussão, sem contar o maestro.

A barulheira começou sem muita delonga. Um tímido 'boa noite', uma afinada nas cordas e o Hino Nacional Brasileiro foi executado. Mesmo a canção não tendo surpresa nenhuma, já mostrou que a turma estava afiada. Além de modas clássicas, como Adeus Paulistinha e Disparada, também foram executadas algumas, digamos, surpresas. Desde Ave Maria, de Bach e Serenata, de Franz Schubert, também tocaram com maestria Eye Of The Tiger, do Survivor, música tema de 'Rocky III', e também a música que em português se chama Assim Falava Zaratustra, o impecável tema de '2001 - Uma odisseia no espaço'.
Ao final, não deram tempo pro pedido de bis. Mas não precisavam se importar muito com isso, tamanha alegria que passaram com suas canções. A sincronia entre eles foi denunciada quando o simpático maestro apresentou os naipes: Entre eles estavam seu filho, que visivelmente era o violeiro mais capacitado da equipe, além de sua linda mãe, que cantou brilhantemente um lindo fado português de Vinicius de Moraes. Os naipes também contavam com varias senhoras lindas e um garoto de 13 anos que participava dos solistas! Mostrando que a música realmente não tem tempo pra montar paredes e sim, quebrar fronteiras e padrões sociais. Além de toda essa gente bonita, estava presente o neto do lendário Tinoco, da dupla Tonico e Tinoco. Quando ele se levantou e se apresentou, a emoção foi inevitável.

Ao fim do show, super solícitos e simpáticos, tiraram fotos, conversaram com o público e autografaram os CDs e DVDs. Eles talvez não estavam compreendendo a dimensão do que fizeram naquele teatro. Não entendiam talvez quantas barreiras eles conseguiram quebrar em uma cidade pequena e ainda um pouco atrasada. Mulheres, homens, senhoras, senhores, crianças, tocando um instrumento tipicamente sertanejo e executando músicas clássicas e diferentes do contexto. Mais um grande momento pra cultura interiorana, com certeza.

O SESI Birigui tem programações semanais, e você pode conferir aqui
O site oficial da Orquestra Paulistana de Viola Caipira é esse aqui

CultClubCinema #4 - Como Eu Era Antes de Você

Bonito? Sim. Clichê? Muito!


Mais um filme derivado de livros. Mais um romance engraçadinho para as massas. Mais um casal de atores bonitos e simpáticos. Mais um final previsível... Tinha tudo para ser diferente, mas é só mais um filme.

O filme segue uma linha nada tênue entre o previsível e o descontraído. É bem engraçado e tem personagens cativantes, mas o rumo que as coisas tomam é o mesmo visto em comédias românticas desde o final dos anos 90. Aquele velho roteiro: O casal não se da bem, do nada acabam bem, juram amor eterno e um deles morre acontece algo bem triste no final.
Uma pena o clímax da tristeza acabar quebrado pela obviedade.

Will Traynor era um cara bem sucedido, com uma bela namorada, um bom trabalho, plena saúde mental e corporal. Acaba tetraplégico depois de um acidente muito bobo (olhem para os dois lados antes de atravessar a rua, por favor!).
Depois do acidente, pra ajudar, sua namorada o troca pelo seu melhor amigo. Will se isola de tudo, fica o dia inteiro em seu quarto adaptado e sua única companhia é seu médico particular. Seu desejo público de morrer é o que aflige seus pais, que o fizeram prometer tentar mudar de ideia em seis meses. E é nesses seis meses que em meio a tantas candidatas, a mãe de Will decide contratar a mais tagarela, mal vestida e inexperiente delas (sem motivo especial nenhum, vale lembrar). Louisa Clark é uma recém desempregada, que mora em uma casa humilde junto de sua grande e complicada família, e que namora um esportista fanático que se importa mais com suas próprias pernas do que com sua namorada. A simpática garota sofre no começo de sua semestral jornada de trabalho, com o descaso e agressividade de Will. Acontece que não mais que de repente, os dois se dão incrivelmente bem! Quando Clark percebe que sente algo diferente por Will, fica em um impasse enorme: Não saber lidar com sua escolha, tentar aproveitar o máximo que pode com ele, além de tentar convencê-lo a mudar ideia, tudo isso enquanto seu namorado chato a trata mal e a questiona sobre tudo.

Típico, não é? Mas tem suas qualidades.
Os atores de Game of Thrones tem se dado bem fora da série. Emilia Clarke, que
sustenta um sobrenome muito parecido com o da sua personagem, faz muito bem o estereótipo de garota do interior, sem vida social e que desconhece o verdadeiro amor. Na verdade, muitas das partes engraçadas do filme ela leva nas costas e o que difere o filme de todos romances tristes que conhecemos são os momentos engraçados protagonizados por Louisa. Sam Claflin não fica pra traz, e parece ter feito um bom laboratório para interpretar um cadeirante. Sem o artifício da expressão corporal, seu rosto e, principalmente, suas sobrancelhas acabam falando bastante. Mesmo sendo um típico ator de comédias românticas (com exceção ao seu excelente Finnick na saga Jogos Vorazes) fez um primordial trabalho. Além dos dois, o único personagem com destaque suficiente para ser lembrado é o Patrick, de Matthew Lewis, nosso eterno Neville Longbotton.
Ao contrário das atuações, a trama é fraca. Os motivos para o desenrolar são muito superficiais e, como todo filme derivado de um livro, os furos são enormes. O que não tira a importância do tema principal: a eutanásia. Algo que precisa ser muito bem estudado, discutido e principalmente, compreendido pelos que cercam quem optou por isso. E o filme trata o assunto de forma magistral, é um fato. Mas é realmente uma pena um tema de tanto potencial acabar de forma tão previsível e que, ao meu ver, faz perder toda beleza que o filme sustenta. Até por isso, acabei achando momentos comuns muito mais emocionantes do que o próprio gran finale. Apesar disso, mais de 50% da sala de cinema saiu secando as lágrimas e a moça do meu lado chegou a soluçar. 

A autora do livro e diretora do filme Jojo Moyes captou o que de melhor existe em best sellers e fez mais um romance pro povo. Pena que talvez esse mesmo povo acabe dando mais valor pra história do casal do que pro forte motivo social que o circula. De qualquer forma, merece o sucesso que está colhendo. Mas infelizmente, não me convenceu.

PS: A dublagem é péssima.



AQUI TEM UM SPOILER, LEIA POR SUA CONTA EM RISCO
Alguns grupos de ativistas chegaram a tentar boicotar as sessões do filme ao longo do mundo, acreditando que a mensagem final não seja a adequada a tetraplégicos: a escolha da eutanásia. Mesmo assim, Jojo Moyes bateu o pé e disse que o final na verdade fala de coragem, e não o contrário. Vale lembrar que, mesmo focando na história de Louisa, e não na do cadeirante Will, é citado que ele sofre muito com dores noturnas e a depressão de ter lembranças muito vivas sobre como sua vida era antes do fatídico acidente.

Nota: 5,5

Emilia Clarke - Louisa Clark
Sam Claflin - Will Traynor
Jenna Coleman - Katrina Clark
Matthew Lewis - Patrick
Charles Dance - Steve Traynor
Janet McTeer - Camilla Traynor

CultClubMúsica #2 - Rogério, Supercombo (Single)

Depois do brilhante Amianto, a ansiedade por Rogério, novo disco da Supercombo, foi aumentando a cada mísero spoiler. Pois bem, hoje saiu um ótimo lyric vídeo da faixa título e você pode conferir aqui!


Com letra forte e descontraída, a melodia também resgata o que de melhor existia do disco anterior. O marketing está pegando pesado e a divulgação está sendo tremenda! Hoje os caras se apresentam no festival João Rock, em Ribeirão Preto e com certeza executarão algumas novidades.

Além de 'Rogério', o CD contará com 'Lentes', parceria com Negra Li e que ficou famosa por ser lançada em uma ação da marca Sempre Livre. Você pode conferir aqui.

CultClubMúsica #1 - The Getaway, Red Hot Chili Peppers


Nem todos casamentos acabam mal, e alguns até tem o tempo certo de acabar. E mesmo sendo uma pena o fim do relacionamento entre Rick Rubin e os Peppers, este era um daqueles namoros que já estavam sufocantes, e que as duas partes se sentem na obrigação de 'conhecer outras pessoas'. Apesar disso, é bem difícil saber o quão importante é a possibilidade que a contra parte do casal tem de te moldar conforme sua própria personalidade, e pra que isso aconteça puramente, é necessário que você também queira! Por isso Danger Mouse é o crush perfeito para essa nova etapa dos filhos da Califórnia. Você já deve ter ouvido falar de Mouse, que entre tantos nomes que produziu, posso citar de começo The Black Keys e Gorillaz, além de integrar ao lado de Ce Loo Green a conceituada Gnarls Barkley.
The Getaway vazou e não, não tem funk. E já passou da hora de você desapegar disso, amiguinho! Agora que tivemos tempo suficiente pra conhecer Josh e perceber que de Frusciante ele só tem o cargo, não devemos mais nos enganar. Klinghoffer tem sua maneira singular de tocar, os Peppers o quiseram assim e os novos trabalhos serão assim! E não, não está ruim, acreditem! Apesar de estar parecendo mais um apanhado de restos do I'm With You somado a referências Indie e oitentistas. De qualquer forma, assim como seu antecessor, não é ruim!

É dada a largada, e o disco tem início com as três primeiras faixas que já foram liberadas. A faixa título do álbum nos saboriza gradualmente, mas em seus primeiros segundos já nos cagueta um grande trunfo: o flerte com o eletrônico. Sem exageros, vale ressaltar. O beat bem marcado, com a percussão bem participativa, casa com o baixo simplório e a guitarra 'aquática', que riffa o refrão inteiro. Isso confirma muito a preferência de Klinghoffer por riffs com acordes concretos, apostando mais em modulação que agressividade, um oposto discrepante do passado remoto dos Peppers. 
'Dark Necessities' tem uma introdução instigante e um piano marcante, e que me deixou curioso sobre como vai ser performance ao vivo (você vai matar a curiosidade junto comigo logo ali em baixo). Somos reapresentados ao slaps de Flea e um refrão chiclete, com lindos e sutis backing vocals (que também me atiçam a curiosidade). O que fica claro a partir daqui é o efeito meio flanger que a bateria ganhou. Uma coisa meio Led Zepellin, com o perdão da comparação. 
Sobre 'We Turn Red', vou ser sucinto: É o máximo de funk que vocês acharão em todo disco, apesar da batida remeter bastante a ritmos nordestinos (provável influência de Mauro Refosco, percussionista brasileiro que excursionou com a banda de 2011 até então).

A partir daqui, as coisas ficam 'inéditas'. Nenhuma destas músicas foi divulgada publicamente como as três anteriores e é aqui que a atenção redobra! E quando as expectativas estão no ápice, as pupilas dilatam e os tímpanos estão esperançosos, vem 'The Longest Wave', uma balada. De início, decepcionante, mas de lindo refrão. Algumas coisas do restante lembram o Stadium Arcadium, álbum duplo de 2006, em que muitos acreditam ter pecado pelo excesso. Apesar disso, uma das maiores obras de Rick Rubin desde Blood Sugar Sexy Magic. Uma dessas claras características está em 'Goodbye Angels', que tem o que eu gosto de chamar de um dos maiores bons vícios de Kieds, os 'riffs vocais'. Além do final explosivo e que destoa do restante da música (e um dos melhores momentos do CD até aqui).

Eu disse que o I'm With You ainda estava ecoando e as próximas duas canções não me deixam mentir. 'Sick Love' tem cheiro de praia e foi inevitável não lembrar da tão praiana quanto 'Did i Let You Know', enquanto 'Go Robot' começa com uma dançante linha de baixo e bateria eletrônica, algo muito 'Factory of Faith'. Vale mencionar que 'Sick Love' conta com a participação de ninguém menos que o eterno rocket man, Elton John!

Na intermediária, o disco acaba ficando massante. Algumas musicas, infelizmente, acabam não agregando muito, apesar da boa construção. E mesmo tentando evitar as comparações, acabo sentindo falta dos picos e surpresas que eram proporcionadas em outros trampos dos caras. 'Feasting on the Flowers' é o famoso 'mais do mesmo', e suas sucessoras tentam uma lenta crescente, que chega atrasada demais para a 'cereja do bolo' no fim do álbum. 'Detroit' e 'Encore' são puláveis, apesar de belas. A mais triste das baladas, 'The Hunter', tem outro repeteco do disco de 2011: o troca-troca entre Flea e Josh. Enquanto o guitarrista assume a nada complicada linha de baixo, o mais uma vez marcante piano fica por conta de Flea. Nesse meio tempo, o único choque térmico é em 'This Ticonderoga', um punk a moda antiga e um fio de oxigênio na sufocante e repetitiva parte final. O disco acaba com outra bela canção, que segue o mesmo roteiro das anteriores, mas se destaca pela absurda transição entre sutileza e punch, algo que foi mal explorado ao longo de todo disco. Isso tudo torna 'Dreams of a Samurai' uma das melhores de todo álbum.

Apesar de novo, nada de tão novo. As diferenças pontuais são o namoro mais firme entre Chad e os beats eletrônicos e o excesso de músicas sem extremos em sequência. Depois da oitava faixa a sensação que fica é aquele momento chato do filme que te dá um pouco de sono. De qualquer forma, cada música tem sua particularidade bem evidente, e esse ponto tornou o álbum singular. Pra ficar um ótimo disco, só faltou mais umas duas ou três 'pesadas' ali no meio, pra dosar melhor a longevidade que o indie/dub aconteceu, intuitivamente.


O clipe de 'Dark Necessities', primeira música de trabalho do disco, já está disponível na página oficial da banda no Facebook. Ele foi dirigido pela atriz Olivia Wilde e você pode assisti-lo clicando aqui.
Os caras também já a executaram ao vivo! Isso rolou no Rock am Ring deste ano, confira aqui! (Você pode conferir o show inteiro aqui)

The Getaway, Red Hot Chili Peppers (2016)
Produzido por Danger Mouse e mixado por Nigel Godrich
1 - The Getaway
2 - Dark Necessities
3 - We Turn Red
4 - The Longest Wave
5 - Goodbye Angels
6 - Sick Love
7 - Go Robot
8 - Feasting on the Flowers
9 - Detroit
10 - This Ticonderoga
11 - Encore
12 - The Hunter
13 - Dreams of a Samurai

Nota: 7,5

CultClubCinema #3 - Truque de Mestre - O Segundo Ato

Atores conseguem fazer mágica e tornam o segundo ato quase tão bom quanto o primeiro (perdão pelo infame trocadilho).


Os Cavaleiros voltam depois de uma temporada sem trabalhos, o que faz as mágicas serem ainda mais mirabolantes que antes. Mas a história perde o rumo em alguns (vários) momentos e foca bem mais em efeitos (nem tão especiais) do que na mágica propriamente dita. O que não tira o glamour do filme.

Ok, a sequência inicial deixa a desejar. E é um grande problema falar sobre ela sem dar spoiler, já que todo filme meio que se 'interliga' ao final. Trocando em miúdos, o resumão é meio assim:
Daniel Atlas e seus amigos estão entediados, pois desde o ato final ocorrido no primeiro filme, O Olho não havia mantido contato. Mesmo depois de procurarem respostas, nada acontecia. Enquanto isso, o agente Dylan Rhodes vai segurando as pontas de seus Cavaleiros no FBI. Quando uma ameaça surge, depois de meses, os Cavaleiros se reúnem para mais uma missão com 'síndrome de Robin Hood'. Acontece que os planos vão por água abaixo, os Cavaleiros e o agente Dylan são desmascarados publicamente e na fuga, caindo no próprio truque, acabam perdidos na China e encontram os que serão suas pedras no sapato até o fim do filme: Walter Mabry, magnata intelectual e Chase, irmão gêmeo do mentalista McKinney (pois é, esta parte ficou bem 'novela mexicana', mas eles são engraçados). Enquanto isso, Dylan se rende a persuasão de Thaddeus Bradley, antigo desafeto, e as reviravoltas são tantas que me limito por aqui, pois os spoilers serão inevitáveis. Mas a grande novidade fica com Lola, personagem vivida por Lizzy Caplan. Já a parte triste é a forma como justificam de forma totalmente descompromissada a saída repentina de Henley, personagem de Isla Fisher. Pareceu que a atriz deixou o set de filmagens dias antes do final da gravação, e não foi o caso, já que o elenco estava fechado desde o final do ano passado. De qualquer forma, Lizzy faz uma personagem bem mais simpática que a de Isla, apesar de seu envolvimento com o resto do grupo parecer rápido demais, rolando até alguns flertes com um dos protagonistas.

Lendo outras críticas antes de elaborar essa acabei me sentindo um pouco idiota: Todas elas foram negativas, enquanto eu gostei bastante do filme, na medida do possível. A maioria delas tinham como argumento a muleta que a sequência usa, se apoiando no primeiro filme, ou até mesmo a forma fake com que tratam os truques. Bom, eu tento responder dizendo que, como toda sequência, é importante se basear na primeira parte da história. E poxa, o filme fala de mágicos fodalhões do mundo e do quanto eles podem parecer poderosos mesmo sem poderes, É CLARO QUE ALGO SERIA FAKE! Falso por falso, já temos filmes suficientes por ai, e que nem aceitam amistosamente esse termo. Como o filme fala de ilusionismo, acho que se alguém achou que os truques soaram falsos, é porque deram certo! E que fique claro que não estou defendendo ninguém! Até me estranhei, pois costumo ser bem crítico com sequências de filmes que eu gostei de assistir. Mas o que me pegou, de fato, foi a atuação de muitos dos protago e antagonistas. Apenas Dave Franco continuou com a mesma atuação blasé de 'rostinho bonito' que toda equipe de heróis precisa ter. Mas o resto dos Cavaleiros e seus vilões foram muito bem retratados, e posso começar pelo mais emblemático deles: O Daniel Atlas de Jesse Eisenberg, que o torna naturalmente um egocêntrico líder, personalidade muito bem recuperada do filme anterior, e que o deixa tão carismático quanto outros nomes que deveriam ter importância semelhante, como o agente Dylan de Mark Ruffalo, que é bom, mas é o 'mais do mesmo'. Apesar disso, Ruffalo protagoniza uma excelente cena de luta, e mostra que não é mais um ator de comédias românticas qualquer (crédito aos Vingadores). A nova contra-parte feminina se torna um alívio cômico exagerado, mas efetivo e o já talentoso Woody Harrelson acaba de comprovar o quão alto é seu grau 'camaleão', vivendo os irmãos gêmeos McKinney e Chase. Por mais caricato que seja o novo personagem de Harrelson, e por mais que explorar a existência de um irmão gêmeo seja o auge do clichê anos 80, isso acaba dando um tom ainda mais cartunesco pro filme que acaba perdendo um pouco de sua seriedade com o decorrer da história. Fechando as condecorações, a versatilidade de Daniel Radcliffe realmente impressiona. Com um visual bem mais maduro (mas com o tamanho de um bruxo de 13 anos), ele consegue interpretar seu egocêntrico, cômico e perverso personagem com efetividade que eu, particularmente, não havia notado em outras atuações dele. Ironicamente ou não, o personagem de Daniel não acredita em mágica. Morgan Freeman e Michael Caine continuam brilhantes, mas sem muito esforço (não que precisem). É muito difícil reclamar de um elenco que tem Lex Luthor, Hulk, Harry Potter, Alfred e Deus no mesmo núcleo (piada velha).

Em súmula, o filme é bom! Se quiser, confira e me diga se estou errado. Mas eu aprovei e recomendo pra quem gosta de um bom filme de investigação policial misturado com magia e ilusionismo, ou vice e versa. Um ultimo destaque que não posso deixar passar em branco é a brilhante trilha sonora de Brian Tyler! As canções mudam a direção do filme bruscamente e são personagens tão marcantes quanto nossos amigos mágicos!

Nota: 7 (Com vontade de 7,5)


Elenco:
Mark Ruffalo - Dylan Rhodes
Jesse Eisenberg - Daniel Atlas
Woody Harrelson - Merritt e Chase McKinney
Dave Franco - Jack Wilder
Lizzy Caplan - Lola
Daniel Radcliffe - Walter Mabry
Morgan Freeman - Thaddeus Bradley
Michael Caine - Arthur Tressler

CultClubShow #4 - Virada Cultural 2016 em Bauru (Parte 2)

Uma noite mal dormida no carro e PLAU estávamos no parque Vitória Régia de novo, pra acompanhar o segundo dia de uma das melhores grades da Virada Cultural do estado! Dessa vez, 3 bandas um pouco mais coerentes, mas não menos distintas... Pelo menos não no quesito 'história'. Começamos com um mito da Jovem Guarda, passamos pelo soul e acabamos com um pouco da mistura dos dois e mais outros tantos elementos da tabela musical. Vamos ver?

Fotos: Gabriela Ferraz

Cantora: Wanderléa, um completo mito da música brasileira, principalmente da Jovem Guarda, música vanguardista das décadas de 60 e 70 que deram origem ao rock no Brasil. Com quase 50 anos de carreira, ainda tem sucessos ecoando por cada canto do país.
O Show: Aos arredores, poucas pessoas espalhadas. Nas grades, senhores cantarolando cada música executada. Esse era o clima descontraído e nostálgico do show de Wanderléa, que mesmo tão importante para a musica brasileira, era de humildade enorme e carregava uma cumplicidade anormal com seus fãs. Isso se comprovava a cada intervalo de música, em que ela abria um diálogo (muitas vezes até extenso) com seus amigos. A banda era incrível e pesou todas as musicas, até as mais suaves. Sua filha lhe acompanha nos backing vocals e deixa as músicas já engraçadas ainda mais cômicas. A eterna Ternurinha, que na vida já passou por tantos apuros, fez um show alegre e contagiante. Encerraram com 'Pare o Casamento', com sua filha vestida de noiva e com direito a buquê lançado pra galera no final. Memorável!

Cantor: O carioca Claudio Zóli talvez seja um dos maiores one hit da história do país. Sua música Noite do Prazer estourou e até hoje é um dos grandes sucessos do soul. Já participou da banda de Cassiano e teve conselhos profissionais e pessoais de ninguém menos que Tim Maia.
O Show: No palco, estavam montados bateria, baixo e teclados. Nem todos imaginavam que Zóli seria o guitarrista solo de seu próprio grupo. E com essa responsabilidade toda, não se abala. Muita gente, assim como eu, desconhecia a habilidade que Zóli tinha com o instrumento, e ele deixou tudo claro pra nós em uma jam que aconteceu antes do show. Uma pena a guitarra estar muito baixa no início do show, e os volumes só normalizaram do meio pra frente. Uma pena, pois Zóli meio que queimou a largada abrindo o show com seu maior (e um dos únicos) sucessos, 'Noite do Prazer'. Seu outro grande sucesso, 'A Francesa', e covers de Tim Maia e outros clássicos do soul brasileiro fecharam a ainda vazia, mas dançante e contagiante apresentação de outro grande nome da MPB. Sua voz realmente já não é mais a mesma, e em algumas notas prolongadas ela não se sustentava, mas ninguém vai cobrar isso, né? Mesmo com sua carreira 'fogo de palha', Zóli já se consolidou na história musical do país.


Banda: Marcelo Jeneci, com sua inseparável parceira Laura Lavieri, construíram uma carreira sólida desde que saíram da Zona Leste de São Paulo. No currículo, bandas como as de Chico César e Arnaldo Antunes, parcerias com Vanessa da Mata, músicas regravadas por Zélia Duncan e na carreira solo, quando se descobriu compositor, dois CD's e uma indicação ao Grammy de melhor álbum de MPB.
O Show: Talvez a ansiedade tenha intensificado a espera, mas nem em shows fechados eu tinha visto uma demora tão grande. Alguns problemas de palco atrasaram em quase uma hora o show mais esperado da noite, e a plateia já estava de saco cheio. Alguns poucos chegaram a desistir. Foram infelizes, pois valeu cada segundo.
O palco montado faz parecer que ali estará, no mínimo, uma orquestra de teclas. Pois bem, todos aqueles quatro teclados, aquele acordeon e uma guitarra da década de 60 são executados por Marcelo Jeneci. Alguns deles são executados ao mesmo tempo! 5 pessoas conseguem fazer um dos shows mais lindamente barulhentos da atualidade. Ao abrir com a misteriosa 'A Vida é Bélica', a sexta do De Graça, seu segundo CD, deu o tom do que ainda viria. 'Café Com Leite de Rosas', do primeiro CD que se chama Feito Pra Acabar, mudou toda a vibe, por ser uma das mais alegres e bonitas letras do cantor. Em meio a tantas músicas boas, ainda rolou um cover que é figura carimbada em seus shows, 'Vamos Passear de Bicicleta', do Hyldon, e uma música fruto de uma parceria entre ele e Vanessa da Mata, 'Amado', essa já não tão corriqueira no set list. 'Pra Sonhar', um dos seus grandes sucessos, foi um dos auges, junto com 'Dar-Te-Ei', em que surpreendeu a todos e, não mais que de repente, apareceu no meio da plateia! Claro, muita gente tirou uma casquinha... Depois do falso final, voltou com 'Feito Pra Acabar', 'Felicidade' e 'De Graça', pra encerrar o show com uma de suas mais lindas mensagens: 'o melhor da vida é de graça'.

Assim acaba a Virada Cultural, na edição em que comemora os 10 anos de existência. Um dos maiores e melhores eventos culturais do país. Ano que vem estaremos de olho!