CultClubCinema #4 - Como Eu Era Antes de Você

Bonito? Sim. Clichê? Muito!


Mais um filme derivado de livros. Mais um romance engraçadinho para as massas. Mais um casal de atores bonitos e simpáticos. Mais um final previsível... Tinha tudo para ser diferente, mas é só mais um filme.

O filme segue uma linha nada tênue entre o previsível e o descontraído. É bem engraçado e tem personagens cativantes, mas o rumo que as coisas tomam é o mesmo visto em comédias românticas desde o final dos anos 90. Aquele velho roteiro: O casal não se da bem, do nada acabam bem, juram amor eterno e um deles morre acontece algo bem triste no final.
Uma pena o clímax da tristeza acabar quebrado pela obviedade.

Will Traynor era um cara bem sucedido, com uma bela namorada, um bom trabalho, plena saúde mental e corporal. Acaba tetraplégico depois de um acidente muito bobo (olhem para os dois lados antes de atravessar a rua, por favor!).
Depois do acidente, pra ajudar, sua namorada o troca pelo seu melhor amigo. Will se isola de tudo, fica o dia inteiro em seu quarto adaptado e sua única companhia é seu médico particular. Seu desejo público de morrer é o que aflige seus pais, que o fizeram prometer tentar mudar de ideia em seis meses. E é nesses seis meses que em meio a tantas candidatas, a mãe de Will decide contratar a mais tagarela, mal vestida e inexperiente delas (sem motivo especial nenhum, vale lembrar). Louisa Clark é uma recém desempregada, que mora em uma casa humilde junto de sua grande e complicada família, e que namora um esportista fanático que se importa mais com suas próprias pernas do que com sua namorada. A simpática garota sofre no começo de sua semestral jornada de trabalho, com o descaso e agressividade de Will. Acontece que não mais que de repente, os dois se dão incrivelmente bem! Quando Clark percebe que sente algo diferente por Will, fica em um impasse enorme: Não saber lidar com sua escolha, tentar aproveitar o máximo que pode com ele, além de tentar convencê-lo a mudar ideia, tudo isso enquanto seu namorado chato a trata mal e a questiona sobre tudo.

Típico, não é? Mas tem suas qualidades.
Os atores de Game of Thrones tem se dado bem fora da série. Emilia Clarke, que
sustenta um sobrenome muito parecido com o da sua personagem, faz muito bem o estereótipo de garota do interior, sem vida social e que desconhece o verdadeiro amor. Na verdade, muitas das partes engraçadas do filme ela leva nas costas e o que difere o filme de todos romances tristes que conhecemos são os momentos engraçados protagonizados por Louisa. Sam Claflin não fica pra traz, e parece ter feito um bom laboratório para interpretar um cadeirante. Sem o artifício da expressão corporal, seu rosto e, principalmente, suas sobrancelhas acabam falando bastante. Mesmo sendo um típico ator de comédias românticas (com exceção ao seu excelente Finnick na saga Jogos Vorazes) fez um primordial trabalho. Além dos dois, o único personagem com destaque suficiente para ser lembrado é o Patrick, de Matthew Lewis, nosso eterno Neville Longbotton.
Ao contrário das atuações, a trama é fraca. Os motivos para o desenrolar são muito superficiais e, como todo filme derivado de um livro, os furos são enormes. O que não tira a importância do tema principal: a eutanásia. Algo que precisa ser muito bem estudado, discutido e principalmente, compreendido pelos que cercam quem optou por isso. E o filme trata o assunto de forma magistral, é um fato. Mas é realmente uma pena um tema de tanto potencial acabar de forma tão previsível e que, ao meu ver, faz perder toda beleza que o filme sustenta. Até por isso, acabei achando momentos comuns muito mais emocionantes do que o próprio gran finale. Apesar disso, mais de 50% da sala de cinema saiu secando as lágrimas e a moça do meu lado chegou a soluçar. 

A autora do livro e diretora do filme Jojo Moyes captou o que de melhor existe em best sellers e fez mais um romance pro povo. Pena que talvez esse mesmo povo acabe dando mais valor pra história do casal do que pro forte motivo social que o circula. De qualquer forma, merece o sucesso que está colhendo. Mas infelizmente, não me convenceu.

PS: A dublagem é péssima.



AQUI TEM UM SPOILER, LEIA POR SUA CONTA EM RISCO
Alguns grupos de ativistas chegaram a tentar boicotar as sessões do filme ao longo do mundo, acreditando que a mensagem final não seja a adequada a tetraplégicos: a escolha da eutanásia. Mesmo assim, Jojo Moyes bateu o pé e disse que o final na verdade fala de coragem, e não o contrário. Vale lembrar que, mesmo focando na história de Louisa, e não na do cadeirante Will, é citado que ele sofre muito com dores noturnas e a depressão de ter lembranças muito vivas sobre como sua vida era antes do fatídico acidente.

Nota: 5,5

Emilia Clarke - Louisa Clark
Sam Claflin - Will Traynor
Jenna Coleman - Katrina Clark
Matthew Lewis - Patrick
Charles Dance - Steve Traynor
Janet McTeer - Camilla Traynor