CultClubCinema #3 - Truque de Mestre - O Segundo Ato

Atores conseguem fazer mágica e tornam o segundo ato quase tão bom quanto o primeiro (perdão pelo infame trocadilho).


Os Cavaleiros voltam depois de uma temporada sem trabalhos, o que faz as mágicas serem ainda mais mirabolantes que antes. Mas a história perde o rumo em alguns (vários) momentos e foca bem mais em efeitos (nem tão especiais) do que na mágica propriamente dita. O que não tira o glamour do filme.

Ok, a sequência inicial deixa a desejar. E é um grande problema falar sobre ela sem dar spoiler, já que todo filme meio que se 'interliga' ao final. Trocando em miúdos, o resumão é meio assim:
Daniel Atlas e seus amigos estão entediados, pois desde o ato final ocorrido no primeiro filme, O Olho não havia mantido contato. Mesmo depois de procurarem respostas, nada acontecia. Enquanto isso, o agente Dylan Rhodes vai segurando as pontas de seus Cavaleiros no FBI. Quando uma ameaça surge, depois de meses, os Cavaleiros se reúnem para mais uma missão com 'síndrome de Robin Hood'. Acontece que os planos vão por água abaixo, os Cavaleiros e o agente Dylan são desmascarados publicamente e na fuga, caindo no próprio truque, acabam perdidos na China e encontram os que serão suas pedras no sapato até o fim do filme: Walter Mabry, magnata intelectual e Chase, irmão gêmeo do mentalista McKinney (pois é, esta parte ficou bem 'novela mexicana', mas eles são engraçados). Enquanto isso, Dylan se rende a persuasão de Thaddeus Bradley, antigo desafeto, e as reviravoltas são tantas que me limito por aqui, pois os spoilers serão inevitáveis. Mas a grande novidade fica com Lola, personagem vivida por Lizzy Caplan. Já a parte triste é a forma como justificam de forma totalmente descompromissada a saída repentina de Henley, personagem de Isla Fisher. Pareceu que a atriz deixou o set de filmagens dias antes do final da gravação, e não foi o caso, já que o elenco estava fechado desde o final do ano passado. De qualquer forma, Lizzy faz uma personagem bem mais simpática que a de Isla, apesar de seu envolvimento com o resto do grupo parecer rápido demais, rolando até alguns flertes com um dos protagonistas.

Lendo outras críticas antes de elaborar essa acabei me sentindo um pouco idiota: Todas elas foram negativas, enquanto eu gostei bastante do filme, na medida do possível. A maioria delas tinham como argumento a muleta que a sequência usa, se apoiando no primeiro filme, ou até mesmo a forma fake com que tratam os truques. Bom, eu tento responder dizendo que, como toda sequência, é importante se basear na primeira parte da história. E poxa, o filme fala de mágicos fodalhões do mundo e do quanto eles podem parecer poderosos mesmo sem poderes, É CLARO QUE ALGO SERIA FAKE! Falso por falso, já temos filmes suficientes por ai, e que nem aceitam amistosamente esse termo. Como o filme fala de ilusionismo, acho que se alguém achou que os truques soaram falsos, é porque deram certo! E que fique claro que não estou defendendo ninguém! Até me estranhei, pois costumo ser bem crítico com sequências de filmes que eu gostei de assistir. Mas o que me pegou, de fato, foi a atuação de muitos dos protago e antagonistas. Apenas Dave Franco continuou com a mesma atuação blasé de 'rostinho bonito' que toda equipe de heróis precisa ter. Mas o resto dos Cavaleiros e seus vilões foram muito bem retratados, e posso começar pelo mais emblemático deles: O Daniel Atlas de Jesse Eisenberg, que o torna naturalmente um egocêntrico líder, personalidade muito bem recuperada do filme anterior, e que o deixa tão carismático quanto outros nomes que deveriam ter importância semelhante, como o agente Dylan de Mark Ruffalo, que é bom, mas é o 'mais do mesmo'. Apesar disso, Ruffalo protagoniza uma excelente cena de luta, e mostra que não é mais um ator de comédias românticas qualquer (crédito aos Vingadores). A nova contra-parte feminina se torna um alívio cômico exagerado, mas efetivo e o já talentoso Woody Harrelson acaba de comprovar o quão alto é seu grau 'camaleão', vivendo os irmãos gêmeos McKinney e Chase. Por mais caricato que seja o novo personagem de Harrelson, e por mais que explorar a existência de um irmão gêmeo seja o auge do clichê anos 80, isso acaba dando um tom ainda mais cartunesco pro filme que acaba perdendo um pouco de sua seriedade com o decorrer da história. Fechando as condecorações, a versatilidade de Daniel Radcliffe realmente impressiona. Com um visual bem mais maduro (mas com o tamanho de um bruxo de 13 anos), ele consegue interpretar seu egocêntrico, cômico e perverso personagem com efetividade que eu, particularmente, não havia notado em outras atuações dele. Ironicamente ou não, o personagem de Daniel não acredita em mágica. Morgan Freeman e Michael Caine continuam brilhantes, mas sem muito esforço (não que precisem). É muito difícil reclamar de um elenco que tem Lex Luthor, Hulk, Harry Potter, Alfred e Deus no mesmo núcleo (piada velha).

Em súmula, o filme é bom! Se quiser, confira e me diga se estou errado. Mas eu aprovei e recomendo pra quem gosta de um bom filme de investigação policial misturado com magia e ilusionismo, ou vice e versa. Um ultimo destaque que não posso deixar passar em branco é a brilhante trilha sonora de Brian Tyler! As canções mudam a direção do filme bruscamente e são personagens tão marcantes quanto nossos amigos mágicos!

Nota: 7 (Com vontade de 7,5)


Elenco:
Mark Ruffalo - Dylan Rhodes
Jesse Eisenberg - Daniel Atlas
Woody Harrelson - Merritt e Chase McKinney
Dave Franco - Jack Wilder
Lizzy Caplan - Lola
Daniel Radcliffe - Walter Mabry
Morgan Freeman - Thaddeus Bradley
Michael Caine - Arthur Tressler