Uma noite mal dormida no carro e PLAU estávamos no parque Vitória Régia de novo, pra acompanhar o segundo dia de uma das melhores grades da Virada Cultural do estado! Dessa vez, 3 bandas um pouco mais coerentes, mas não menos distintas... Pelo menos não no quesito 'história'. Começamos com um mito da Jovem Guarda, passamos pelo soul e acabamos com um pouco da mistura dos dois e mais outros tantos elementos da tabela musical. Vamos ver?
Fotos: Gabriela Ferraz
Cantora: Wanderléa, um completo mito da música brasileira, principalmente da Jovem Guarda, música vanguardista das décadas de 60 e 70 que deram origem ao rock no Brasil. Com quase 50 anos de carreira, ainda tem sucessos ecoando por cada canto do país.
O Show: Aos arredores, poucas pessoas espalhadas. Nas grades, senhores cantarolando cada música executada. Esse era o clima descontraído e nostálgico do show de Wanderléa, que mesmo tão importante para a musica brasileira, era de humildade enorme e carregava uma cumplicidade anormal com seus fãs. Isso se comprovava a cada intervalo de música, em que ela abria um diálogo (muitas vezes até extenso) com seus amigos. A banda era incrível e pesou todas as musicas, até as mais suaves. Sua filha lhe acompanha nos backing vocals e deixa as músicas já engraçadas ainda mais cômicas. A eterna Ternurinha, que na vida já passou por tantos apuros, fez um show alegre e contagiante. Encerraram com 'Pare o Casamento', com sua filha vestida de noiva e com direito a buquê lançado pra galera no final. Memorável!
Cantor: O carioca Claudio Zóli talvez seja um dos maiores one hit da história do país. Sua música Noite do Prazer estourou e até hoje é um dos grandes sucessos do soul. Já participou da banda de Cassiano e teve conselhos profissionais e pessoais de ninguém menos que Tim Maia.
O Show: No palco, estavam montados bateria, baixo e teclados. Nem todos imaginavam que Zóli seria o guitarrista solo de seu próprio grupo. E com essa responsabilidade toda, não se abala. Muita gente, assim como eu, desconhecia a habilidade que Zóli tinha com o instrumento, e ele deixou tudo claro pra nós em uma jam que aconteceu antes do show. Uma pena a guitarra estar muito baixa no início do show, e os volumes só normalizaram do meio pra frente. Uma pena, pois Zóli meio que queimou a largada abrindo o show com seu maior (e um dos únicos) sucessos, 'Noite do Prazer'. Seu outro grande sucesso, 'A Francesa', e covers de Tim Maia e outros clássicos do soul brasileiro fecharam a ainda vazia, mas dançante e contagiante apresentação de outro grande nome da MPB. Sua voz realmente já não é mais a mesma, e em algumas notas prolongadas ela não se sustentava, mas ninguém vai cobrar isso, né? Mesmo com sua carreira 'fogo de palha', Zóli já se consolidou na história musical do país.
Banda: Marcelo Jeneci, com sua inseparável parceira Laura Lavieri, construíram uma carreira sólida desde que saíram da Zona Leste de São Paulo. No currículo, bandas como as de Chico César e Arnaldo Antunes, parcerias com Vanessa da Mata, músicas regravadas por Zélia Duncan e na carreira solo, quando se descobriu compositor, dois CD's e uma indicação ao Grammy de melhor álbum de MPB.
O Show: Talvez a ansiedade tenha intensificado a espera, mas nem em shows fechados eu tinha visto uma demora tão grande. Alguns problemas de palco atrasaram em quase uma hora o show mais esperado da noite, e a plateia já estava de saco cheio. Alguns poucos chegaram a desistir. Foram infelizes, pois valeu cada segundo.
O palco montado faz parecer que ali estará, no mínimo, uma orquestra de teclas. Pois bem, todos aqueles quatro teclados, aquele acordeon e uma guitarra da década de 60 são executados por Marcelo Jeneci. Alguns deles são executados ao mesmo tempo! 5 pessoas conseguem fazer um dos shows mais lindamente barulhentos da atualidade. Ao abrir com a misteriosa 'A Vida é Bélica', a sexta do De Graça, seu segundo CD, deu o tom do que ainda viria. 'Café Com Leite de Rosas', do primeiro CD que se chama Feito Pra Acabar, mudou toda a vibe, por ser uma das mais alegres e bonitas letras do cantor. Em meio a tantas músicas boas, ainda rolou um cover que é figura carimbada em seus shows, 'Vamos Passear de Bicicleta', do Hyldon, e uma música fruto de uma parceria entre ele e Vanessa da Mata, 'Amado', essa já não tão corriqueira no set list. 'Pra Sonhar', um dos seus grandes sucessos, foi um dos auges, junto com 'Dar-Te-Ei', em que surpreendeu a todos e, não mais que de repente, apareceu no meio da plateia! Claro, muita gente tirou uma casquinha... Depois do falso final, voltou com 'Feito Pra Acabar', 'Felicidade' e 'De Graça', pra encerrar o show com uma de suas mais lindas mensagens: 'o melhor da vida é de graça'.
Assim acaba a Virada Cultural, na edição em que comemora os 10 anos de existência. Um dos maiores e melhores eventos culturais do país. Ano que vem estaremos de olho!
