Pegamos a estrada mais uma vez e assistimos os dois dias da Virada Cultural de Bauru, uma das grades mais interessantes e ecléticas do estado. Em clima de aventura, presenciamos todos os shows, e vamos falar um pouco de cada um deles pra vocês.
Fotos: Gabriela Ferraz e Caio Cristiano
Local: Parque Vitória Régia, Av. Nações Unidas - Bauru/SP
Lindo parque! Um pouco íngreme, permitindo a visão de todos. Os pequenos comércios estavam por todo lugar, mas não atrapalharam. A estrutura do palco, menor que a de Araçatuba, mesmo assim suportou bem todas as atrações. Excelente evento!
O primeiro dia, que será tema deste post, foi o que obteve uma variedade musical mais forte. Começamos com rock clássico e terminamos com rap. Portanto, a galera que acabou indo pra ver um artista específico não aprovou tanto as outras atrações que aconteceram. Mas, quem foi pra ver um festival de música, viu! Cada um deles se apresentou com tudo o que tem, até porque, o ambiente não proporcionava vontade diferente. Talvez eu nunca tivesse visto um evento público tão cheio quanto este.
Mas enfim, vamos aos shows!
Banda: Acústicos e Calibrados, banda local que tem como vertente principal o rockabilly, desde repertório até roupas e instrumentos. Vão gravar seu segundo DVD e entre as canções próprias destaco a que foi tema do ultimo clipe, Caneta Prateada.
O Show: Quatro caras uniformizados, com instrumentos vintage, subiram ao palco e começaram uma balburdia que parecia não ter fim. E quando digo balburdia, é sim, no bom sentido! Pois em um repertório cover que tem de Beatles a Raimundos, talvez não exista palavra que melhor defina. As canções próprias que foram executadas como Calibrados, Queria Ser Patrick Swayze e o ultimo sucesso, Caneta Prateada, seguem algo que lembra, levemente, Velhas Virgens, com letras cômicas, arranjos clássicos e refrões que já estavam na boca da galera. Um ótimo show de abertura para esquentar aquela noite fria!
Cantor: Tiago Iorc, o mais novo sex symbol da música brasileira. Quando ainda escrevia em inglês, emplacou hits em novelas globais, mas não teve nem de perto o mesmo sucesso de Troco Likes, seu primeiro álbum em português, e do EP Sigo de Volta, que já está em todas plataformas midiáticas possíveis.
O Show: Algumas pessoas tocam violão brilhantemente bem, algumas pessoas tem voz suave e que conquista, algumas pessoas tem uma beleza e empatia naturais que surpreendem, e tem o Tiago Iorc, que é tudo isso. Acompanhado apenas de seu violão, fez um show intuitivo e aconchegante. Eu poderia falar que, por não ter a banda completa, não foi um show animado, mas as meninas não deixaram desanimar! A cada acorde, palavra, pose, era um grito da platéia. Quando subiu ao palco, antes mesmo de abrir seu show com a linda Bossa, gritos já ecoavam. Além de sucessos como Mil Razões e Cataflor, rolaram covers que ficaram até mais conhecidos na voz do cantor do que a execução original. Casos de My Girl (Temptations), Tempo Perdido (Legião Urbana), Bang (Anitta) e uma das mais belas versões dele, Dia Especial (Cidadão Quem). Encerrou com seu maior sucesso, Amei Te Ver, e se despediu dos espectadores, sempre charmoso e simplório, como sempre.
Banda: Karina Buhr, apesar de estar em foco agora, não é uma jovem cantora. Aos 42 anos vive a melhor época de sua carreira desde que nasceu em Salvador, Bahia e se consolidou no Recife, Pernambuco. Ano passado lançou seu terceiro álbum, Selvática, que conta com um time de peso na banda de apoio.
O Show: Assim que a primeira música acabou, Karina pegou uma folha de papel que estava nas mãos de uma das fãs e a ergueu para todos. "Fora Temer" era a inscrição e logo passou a ser um grito de guerra, imposto por fãs da cantora que conquistou um público enorme com suas letras de protesto, focadas no feminismo e na luta a favor dos direitos das mulheres. Dragão, música que lembra um mangbeat, abriu o show, mas não era em nada um prelúdio da apresentação. Com Edgard Scandurra nas guitarras (que eram executadas na turnê até então por Fernando Catatau e os dois participaram da gravação de Selvática), o show foi tendo um peso gradual e intenso. A performática cantora se definhava e gritava em músicas como Esôfago, Eu Sou Um Monstro e Pic Nic, todas com letras claras de protesto. Ao final, gritava frases de apoio as feministas e a todas as mulheres, de forma emocionada e inconformada. Um dos grandes shows não só desta noite, como de todo final de semana.
Cantor: José Tiago Sabino Pereira, ou só Projota. Um dos 3 terrores do novo rap nacional, ao lado de Rashid e Emicida. Emplacou vários singles nas paradas radiofônicas mas tem apenas um álbum de estúdio, o Foco Força e Fé, de 2014. Aos 30 anos se consolida como um dos maiores rappers da atualidade.
O Show: Um DJ e o Projota. O palco estava vazio, mas a praça estava muito, mas muito cheia! Crianças, velhos, casais, famílias, nem eu sabia que Projota tinha tantos fãs! Como apenas com o DJ as músicas acabaram sem algum 'atrativo' além do próprio Projota, todas músicas foram encurtadas e em vários momentos ele abria diálogos com a galera. Em um momento emocionante, fez uma série de rimas sem acompanhamento algum, falando da sua trajetória, das parcerias e do momento que estava vivendo. Não acompanho muito sua carreira, então não sei se é algo corriqueiro em seus shows, mas muitas destas rimas pareciam improviso. Também mostrou preocupação a não continuar seu show enquanto uma pessoa que estava passando mal não fosse retirada em segurança e ainda deu bronca na organização do evento que demorou a prestar atendimento. Sobre o repertório, só sucessos! Todos refrões eram entoados por todas aquelas pessoas. Entre as mais cantadas estavam Rezadeira, Ela Só Quer Paz, Pra Não Dizer Que Não Falei Do Ódio, Enquanto Você Dormia, a emocionante O Homem Que Não Tinha Nada e encerrou o show com seu maior hit, Mulher. Com um rap mais 'acessível' e menos 'pesado', foi fácil conquistar a todos. Ficou devendo um pouco no final do show, em que tentou fazer o vocalize, que em nada denegriu a apresentação. Bauru viveu uma noite histórica!






