CultClubShow #2 - Alceu Valença

Alceu Valença na Virada Cultural 2016 em Araçatuba, São Paulo

Alceu fechou a programação da Virada Cultural em Araçatuba

Cantor: Alceu Valença, pernambucano, 70 anos de idade, dos quais quase 50 são de carreira. 25 álbuns de estúdio, mais de 10 álbuns ao vivo. Um dos percussores da mistura entre ritmos nordestinos com rock e reggae. Parceiro de composição de Geraldo Azevedo, Elba Ramalho e Zé Ramalho. Um verdadeiro mito!

Local: Avenida dos Araças, atrás do terminal rodoviário, Araçatuba/SP
Lugar aberto, como a Virada Cultural sempre proporciona. O que nos deixou sujeitos ao frio e a chuva que em nada incomodaram.

O Show:
Alguns minutinhos de atraso, berimbau, rock, forró, diálogos engraçadíssimos, fogos de artifício e um 'bis' que quase foi uma segunda parte do show. Assim acabou a Virada Cultural 2016 em Araçatuba, com Alceu Valença impondo seu forró progressivo pros poucos sortudos que enfrentaram a chuva e foram presenteados com um show, no mínimo, ímpar!

A Virada Cultural, como muitos de vocês devem saber, acontece todo ano em algumas cidades do estado de São Paulo. A maior de todas, obviamente, é na capital, onde além de grandiosos shows, rolam espetáculos teatrais, exposições, intervenções e tudo mais que se enquadre no termo 'cultura'. Nas cidades menores e mais afastadas, o foco é maior nas apresentações musicais, a exemplo da própria Araçatuba. São dois dias, geralmente sábado e domingo. Em cada dia, de 3 a 5 apresentações e um 'head line'. Sábado o ultimo show ficou por conta de Maria Gadú, grande nome da nova MPB. Domingo, sem tanto apelo popular e com um tempo de chuva pintando o céu, tivemos o espontâneo, egocêntrico, engraçado e performático Alceu Valença. Um dos piorneiros da música nordestina, do forró experimental e do maracatu estava lá, no ápice de seus quase 70 anos, nos mostrando um show completo, complexo e DE GRAÇA!

Com uma formação completamente rock n roll em sua banda, que consistia em guitarra, baixo, bateria e teclado, os arranjos que antes remetiam ao mais puro pé de serra tiveram um pé no rock psicodélico dos anos 70. A abertura do show, que começou com 20 minutos de um atraso completamente perdoável, veio com Embolada do Tempo em um arranjo extraordinário que ele já vinha praticando em seus shows anteriores. Dai pra frente, um sucesso atrás do outro, passando por Como Dois Animais e Taxi Lunar, que ficou famosa na voz de Geraldo Azevedo. Depois de gritar "é pra mim!" para os fogos de artifício e de, com todo charme do sotaque nordestino, dizer "Meu show pode não ser o melhor de todos, e certamente não é. Eu posso não ser o melhor cantor, e certamente não sou, mais eu sou eu e ninguém vai me copiar", e ainda terminar dizendo que a música brasileira estava horrível, saiu do palco pouco depois de terminarem uma linda e longa versão de Anunciação. Pra poucos minutos depois, voltar dando risada dizendo que estava escondido apenas esperando o chamado do povo. Fechou com seus maiores sucessos, La Belle de Jour e Morena Tropicana, interagindo uma espécie de trava língua com a galera e acelerando o andamento no final. Alceu deixa o palco ovacionado depois de um show fantástico, como a muito não se via por aqui. Desde a altura e regulagem do som até a chuva que parece só ter vindo pra assistir ao show, tudo deu muito certo e fechou mais um evento cultural com chave de ouro!