Não deixa de ser o melhor filme da saga, mas não deixa de deixar a desejar, também
É muito difícil tentar avaliar tão minunciosamente uma saga que teve tantos problemas temporais quanto esta, criada de forma arrebatadora pela Fox, e que foi se perdendo ao longo do tempo. Não custa tentar, né?
ALERTA: SPOILER SUTIL
O filme se passa na década de 80, após os acontecimentos de Dias de um Futuro Esquecido, onde rolou a criação dos Sentinelas e toda aquela doidera que fez Magneto mover APENAS um estádio de futebol inteiro e ameaçar o presidente em rede nacional. Mistica, por tomar a decisão correta naquele momento em que tinha tudo pra exterminar de vez os amedrontadores, mas sujar de sangue o nome (já sujo) que os mutantes tinham, se torna uma heroína, reverenciada por mutantes jovens de todo o globo. Erik Lehnsherr se disfarça em um pequeno vilarejo, longe de tudo, onde tem sua família e seu emprego (é metalúrgico, acreditem se quiser).
Charles e Hank seguem com a Escola Xavier para Jovens Super Dotados, que parecia um ambiente tranquilo até descobrirem uma estranha força mutante que causou um terremoto em todo mundo. Tremor esse em que no epicentro estava Moira MacTargget, antigo e mais forte caso amoroso do Professor X. Como se não bastasse, Mistica volta a mansão acompanhada de um demônio azul que se teletransporta e terão a matrícula de um jovem problemático que destrói tudo o que vê quando simplesmente abre os olhos. Que péssima semana para ser Charles Xavier!
E como se isso já não fosse o suficiente, o tal tremor foi a reação da Terra ao sentir novamente os passos do primeiro mutante que existiu: Apocalipse, que viveu antes de Cristo e de qualquer outra civilização. Com poderes além do imaginável, fruto de séculos do resultado de uma descoberta alienígena que o permite trocar de corpo com quem bem entender, tendo além de jovialidade sempre intacta, poderes colhidos de cada corpo trocado. Desperto de seu sono profundo e indignado com o rumo que planeta tomou, vai atrás de seus quatro cavaleiros e tenta destruir o planeta, para reabitá-lo apenas com quem conseguir sobreviver (que original, heim?).
Os tão jovens alunos acabam entrando em uma grande furada: Sua primeira missão será derrotar o mutante mais forte, completo e perverso que já existiu. Além disso, precisam convencer um 'velho amigo' desesperançoso e desolado por perdas recentes, a ajudar nesse momento, que será o mais próximo do fim do mundo que eles viverão.
Depois dessa tentativa de resumo que parecia animadora, as considerações, infelizmente, não são das melhores. Dentre os 'des destaques' posso numerar alguns vários. Onde acertaram em adaptação as HQ's erraram em clichês exacerbados e falhas de adaptação. Por exemplo: Em tal momento onde o grupo de mutantes se encontrava numa sala que anulava seus poderes, a Mistica ainda estava super linda com seu visual ao melhor estilo Jennifer Lawrence, onde ficou claro a economia de cenas 'azuis' com a atriz, que pouco alterou sua aparência ao longo da história. Quanto ao vilão, Oscar Isaac estava irreconhecível, mas eu não sei a que ponto isso é bom ou ruim. A maquiagem não parecia tão natural quanto deveria ser para um mutante azul com milhares de anos. Mas sua atuação salva este mal detalhe que também se ofusca quando comparado a sua própria roupa, que eu achei muito bem desenvolvida. O excesso de tentativas de tornar Noturno o alívio cômico foram por água abaixo, que apesar de bem caracterizado, não tem graça nenhuma. O elenco jovem, aliás, se saiu bem, e só. Ao menos Ciclope pareceu ser um pouco menos bundão que o da trilogia anterior e Jean Grey, como sempre muito poderosa, caiu bem na caracterização de Sophie Turner.
Os bons destaques não foram surpresa e ficam onde 'experiência cinematográfica' não é um problema. James McAvoy e Michael Fassbender são, simplesmente fantásticos em seus papéis! Na verdade, é impressionante a maneira como eles conseguiram trazer pra seu tempo a forma que Magneto e Charles eram quando interpretados por Patrick Stewart e Ian McKellen. E ainda puxo um pouco mais o lado de Fassbender pois ele consegue ser inexpressivo nos momentos corretos. Absurdamente demais!
Foi triste ver como Jubileu foi tratada. As imagens dela no trailer pintavam algo em que, ao menos, nos fizessem ver ela usando seus poderes. Caso semelhante ao de Psylocke, que fiel aos quadrinhos, não teve tempo de mostrar a que veio, mas quando mostrou, foi excepcional. Isso não foi repetido nos outros dois Cavaleiros do Apocalipse, que mal se desenvolveram. Quem se destaca cada vez mais é o jovem Mercúrio, que com mais uma cena epicamente engraçada e seu vínculo com Erik cada vez mais desenvolvido, se torna uma das grandes peças pra um futuro que esperamos ansiosamente.
Pra fechar, a aparição de Logan acaba tendo mais cara de cameo do que outra coisa. Serve, sim, para fechar alguns pontos sem nó deixados nos outros filmes, mas parece mesmo que só o colocaram pra tornar Hugh Jackman como o único ator que aparece em todos os filmes da saga. Ao menos tivemos uma amostra de como será a terceira parte da trilogia solo do Carcaju, que será +18.
Em súmula, não é nem metade do que esperávamos. Mas levando em consideração que estamos falando da Fox e da saga X-Men, que eles tanto economizam, poderia ser pior.
Bons efeitos especiais, ruim andamento. Bom filme, ao fim de tudo. Conseguiram o que todos mais temiam: Fechar a linha do tempo de forma convincente.
Nota: 6,5
Ps: Uma cena pós credito! Tenham paciência, pois é no final de toooooodo crédito mesmo!
Elenco
James McAvoy - Charles Xavier
Jeniffer Lawrence - Mistica
Oscar Issac - Apocalipse
Nicolas Hout - Fera
Evan Peters - Mercúrio
Sophie Turner - Jean Grey
Tye Sheridan - Scott Summers
Kodi Smit-McPhee - Noturno
Olivia Munn - Psylocke
Alexandra Shipp - Tempestade
Ben Hardy - Anjo
Rose Byrne - Moira MacTaggert
Lucas Till - Alex Summers
Tomas Lemarquis - Caliban
