Disney e sua mania de fazer sequências focadas nos, até então, coadjuvantes
Ontem estreou nos cinemas brasileiros a sequência de uma das adaptações live action de maior sucesso dos estúdios Disney. Mesmo sem a mesma intensidade do antecessor, ainda consegue nos prender e nos emocionar.
O filme começa no final da jornada de Alice nos sete mares (uma cena que nos tira o fôlego, devo acrescentar) e retornando pra sua tão amada Londres, seguindo os passo de seu falecido pai. Ao chegar, encontra sua mãe já abatida por estar só, vivendo em uma sociedade machista, com problemas financeiros e a uma assinatura de trocar o barco Maravilha, unica herança de seu pai, pela casa que até então moravam. O novo rei e ex pretendente de Alice no filme anterior faz de tudo para que as coisas ocorram da pior forma e, em uma dessas discussões, guiada por Absolem, Alice encontra um espelho que a leva de volta ao país das maravilhas. Lá, encontra o Chapeleiro em situação deplorável e a ponto de partir, pois em uma de suas aventuras encontrou pistas que supostamente comprovam que sua família ainda estaria viva. Sem acreditar nisso e vendo seu amigo cada vez mais distante da vida, vai ao castelo do Tempo para usar a Cronoesfera, dispositivo que faz o tempo continuar seguindo seu curso normalmente. O problema é que, ao conseguir tal feito, Alice descobre que o passado não pode ser alterado e, sem a Cronoesfera, agora até o presente e o futuro correm perigo.
A dobradinha Burton e Depp volta a render bons filmes. Mesmo com a pressão e ser sequência, a história foi mantida e alguns pontos soltos no filme anterior foram amarrados de forma genial. O único problema é, realmente a pressão por ser uma sequência de um filme que rendeu tantos bons frutos e, infelizmente, não conseguir o superar. Faltou um pouco de 'ação' propriamente dita, mesmo este não sendo o foco principal do conto de Lewiss Carroll, muito menos da animação da Disney. Mas já que, no primeiro filme, tivemos até uma batalha final em clima épico, este já está mais voltado ao sentimento, especificamente aos laços familiares, nos deixando aliás, uma linda lição ao final, como todo bom filme 'infantil'.
Não preciso falar que Depp, mais uma vez, surpreende. Mesmo com toda maquiagem exuberante, sem suas expressões singulares, seria só mais um papel (Infelizmente, pouco depois da estreia, a ex esposa de Depp o denunciou por agressão... O que lhe sobrou em talento, faltou em plenitude). Os outros personagens 'reais' não estavam em seu auge, infelizmente. Hathaway estava beirando a 'sem gracisse' como Rainha Branca, que já era bem mediana no filme anterior. O Tempo foi, de certa forma, um alívio cômico bem composto somado ao talento de Sacha Baron Cohen.
Ao final dos créditos, uma simples e singela homenagem a Alan Rickman, o eterno professor Snape, que fez a voz da exótica 'ex lagarta' Absolem, que por conta do fato acabou encurtando sua passagem pelo longa.
Nota: 6,5
Elenco:
Mia Wasikowska - Alice Kingsleigh
Johnny Depp - Tarrant Hightopp, o Chapeleiro Maluco
Helena Bonham Carter - Iracebeth de Crims, a Rainha Vermelha
Anne Hathaway - Mirana de Marmoreal, a Rainha Branca
Sacha Baron Cohen - Tempo
Rhys Ifans - Zanik Hightopp, pai do Chapeleiro Maluco
Matt Lucas - Tweedledum e Tweedledee
Ed Speleers - James Harcourt
Stephen Fry - Gato de Cheshire
Toby Jones - Wilkins, servo do Tempo
Alan Rickman - Absolem, a Lagarta azul
Michael Sheen - Nivens McTwisp, o Coelho Branco
Timothy Spall - Bayard, o Bloodhound
Paul Whitehouse - Thackery Earwicket, a Lebre de Março
Barbara Windsor - Mallymkun, a Dormouse