CultClubCinema #9 - A Lenda de Tarzan

O ótimo elenco salva o filme do marasmo


Roteiro confuso, cenários lindos, referências fantásticas, efeitos péssimos e elenco maravilhoso: Tamanha discrepância faz o filme ser mediano. Apesar do nome, não é infantil, como alguns esperavam. Trata temas importantes como formação de família, honra, natureza e política territorial.

O filme é contado a partir da história que boa parte de nós já conhecemos de Tarzan: Aquele carinha criado na selva por gorilas, que conhece a Jane e vai pra Inglaterra ser feliz com seu amor.
Na realidade, a introdução do filme trata de um grupo de governantes tentando convencer Tarzan, agora conhecido como John Clayton III, a ir investigar alguns problemas que vem acontecendo na região do Congo, sua terra natal. Civilizado, casado e um membro da realeza, John prontamente nega o pedido, até ser convencido pessoalmente por George Washington, que também se oferece a seguir na missão. Ao chegar em casa, vejam só, Jane também quer ir! Então os três partem nessa jornada muito doida e se hospedam em um vilarejo já conhecido de Tarzan e Jane. No meio da noite, Capitão Rom aparece com seu exército, mata o chefe da aldeia e tentam capturar Tarzan, para que ele não atrapalhe seu plano, que consiste em escravizar todo humano que vive nas redondezas para construir uma linha férrea no meio da selva. Não conseguindo capturar o selvagem, eles raptam Jane, esperando que ele vá busca-la. Envolvido pela fúria, John e George vão atrás não só de Jane e de vingança pelo tão querido chefe Kasai, mas sim por todo Congo, que corre grande perigo.

Na tentativa de tentar informar os desinformados, foram aleatoriamente colocando flashbacks para recordarmos da história do jovem Tarzan, desde a chegada de seus pais naufragados até seu encontro com a jovem Jane. O grande problema é que, por não estarem muito bem organizados, fica meio difícil entender de primeira o motivo das cenas mudarem tão bruscamente (e o motivo do Tarzan nunca ter barba, mesmo que na selva os barbeadores sejam meio complicados de encontrar).
Um conflito também foi introduzido no roteiro, para deixar as coisas mais quentes. Ao meu ver, um pouco desnecessário, talvez até banal, já que ele é resolvido em uma cena com menos de 3 minutos, o que não tira o mérito da majestosa atuação de Djimon Hounson como chefe Mbonga. Por falar no elogiado elenco, temos um time de peso: Desde o troncudo Alexander Skarsgård e da queridinha Margot Robbie até os experientes Samuel L. Jackson e Christoph Waltz. O que pesou muito negativamente foram os fracos efeitos especiais. Desde os animais até as cenas de luta, com cortes estratégicos para não ficar tão evidente o quão complicado deve ter sido fazer aquilo tudo acontecer.
Apesar disso, algumas referências são nostálgicas e muito bem pontuadas, como o nome da família de gorilas de Tarzan, usar os galhos grandes e grossos das arvores para se locomover e a manada de elefantes amigos, todas encontradas na adaptação animada da Disney de 1999.

O filme tem ritmo e tem causa. Falta nuns pontos, compensa em outros. E apesar do sangue, das lutas e conflitos sociais, é um filme pra família.


Nota: 5,5

Elenco:
Alexander Skarsgård - John Clayton III, Lord Greystoke / Tarzan
Rory J. Saper - como o jovem Tarzan
Margot Robbie - Jane Porter
Ella Purnell - jovem Jane Porter
Samuel L. Jackson - George Washington Williams
Christoph Waltz - Capitão Rom
Djimon Hounsou - Chefe Mbonga
John Hurt - Professor Archimedes Q. Porter
Simon Russell Beale - Senhor Frum
Osy Ikhile - Kwete
Casper Crump - Capitão Kerchover
Ashley Byam - Kasai