CultClubCinema #6 - Procurando Dory

Maldição do segundo filme? Desculpe, tenho perda de memória recente


Conhecemos a Disney e a Pixar e podemos aqui enumerar todos seus defeitos mais extravagantes. Entre eles, a ideia de que aproveitar um coadjuvante numa sequência é a coisa mais impactante da história do cinema. Deu (muito) errado em Carros, e isso nos deixou com os dois pés, braços, barbatanas e tentáculos pra trás quando saiu o anúncio de Procurando Dory, a sequência de um filme muito marcante pra crianças do mundo inteiro. Mas 11 anos passaram, muita coisa aconteceu e a tecnologia deu um salto tão grande quanto o oceano (estou demais nas analogias hoje, heim?).
O filme tem o mesmo 'esqueleto' que seu antecessor, e apesar da falta de originalidade do roteiro, novos personagens simpáticos e um final (forçado e) surpreendente fizeram deste filme que estava fadado a críticas como um forte concorrente a melhor animação do ano.

Uma emocionante, triste, mas linda introdução com base em flashbacks nos dá o inicio não só do filme, mas da trajetória de Dory desde sua infância, com seus pais. Essas memórias logo interligam os dois filmes e um ano depois da aventura vivida para encontrar Nemo, uma das memórias acaba se concretizando fortemente na cabeça da desmemoriada peixinha azul. A partir dai, a busca por seus pais começa, mesmo sem nenhuma pista concreta. Dory, Marlin e Nemo seguem viagem e tudo da muito errado, pra variar. Depois de uma perseguição, Dory é 'resgatada' e vai para um 'hospital' para peixes. Lá, conhece Hank, um polvo mal humorado e que quer ter uma vida boa e feliz longe daquele hospital e ir para um grande e confortável aquário, onde nada o atormentaria. Ele e Dory fazem um trato: ele, por ter mobilidade fora d'água, a levaria em busca de seus pais e em troca, Dory daria a ele a etiqueta que é o passaporte para o grande aquário de Cleveland. Enquanto isso, Nemo e Marlin, com ajuda de muitos animais malucos, entram em uma busca para achar Dory, que por sua vez, esta em uma busca para encontrar seus pais, que por sua vez... Enfim, tirem suas próprias conclusões e assistam mais esse grande achado da Disney e da Pixar!

É uma comédia de encher os olhos. Não a toa, já arrecadou milhões por todo mundo. Talvez pela curiosidade, talvez pela forte ligação que crianças e adultos tem pelo filme, ou só por terem a certeza de que um filme protagonizado por uma das personagens mais cativantes da história das animações não teria como não ser, no mínimo, engraçado. O resgate de personagens clássicos refresca a nossa memória, não que fosse necessário, já que um filme bom não sai da nossa cabeça assim tão fácil. Mas algumas introduções pontuais de personagens também são a cereja do bolo do longa, como a tubarão baleia Destiny, a beluga Bailey, os leões marinhos Fluke, Leme e Geraldo, e o próprio Hank, dublado BRILHANTEMENTE (em caixa alta pois merece) por Antonio Tabet, um dos idealizadores do projeto Porta dos Fundos. Pra quem não tem muita experiência em uma mídia como o cinema, Tabet está muito bem, já que esta 'duplamente' em cartaz essa semana. O filme Contrato Vitalício estreou no mesmo dia de Procurando Dory e nós já falamos sobre ele e você pode conferir aqui.
Antes do fim da resenha, acho que vale mencionar a brilhante trilha sonora e a forma como sacaram muito bem alguns aspectos não tão explorados no filme anterior (até pela falta de recursos da época), como quando a iluminação fica claramente escassa quando os peixes se encontram em águas profundas.


PS: Seja um bom espectador, assista a brilhante cena pós crédito e mate um pouco a saudade do filme anterior.

Nota: 7,5

A dublagem original americana conta com vários artistas. Entre eles, novidades como Diane Keaton, Eugene Levy e Ty Burrel, além dos já presentes na temporada anterior, como Ellen DeGeneres, Albert Brooks e Willem Dafoe (spoiler obscuro)

Dublagem Nacional
Dory - Maíra Goes
Marlin - Julio Chaves
Nemo - Rafael Merzadri
Hank - Antonio Tabet